O Elogio da Sombra
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Número 1, Volume 1

Índice

Publicado em 4 de April de 2013

Bright Yel­low Gun

Throwing Muses.

A cor e o som…

Siglo XX — Fear and Desire e Happy Mon­days — Pill ‘n’ Trills and Bellyaches.

SX-70

Filme dos irmãos Eames para a Polaroid.

White de Kenya Hara

Eliot Por­ter

Uma refe­rên­cia na his­tó­ria da fotografia.

Fes­ti­val de jar­dins de Ponte de Lima

Decen­te­mente

Sher­lock Holmes.

Bright Yellow Gun

Mário Venda Nova

Publicado em 4 de April de 2013


Esta ver­são é mais recente que o ori­gi­nal de 1995. A voz de Kris­tin Hersh já está mais “madura” mas ainda con­se­gue estar à altura do seu melhor. Os Throwing Muses eram um dos gru­pos mais repre­sen­ta­ti­vos da 4AD, a mítica edi­tora dos anos 80/90 que pro­du­ziu alguma da melhor música dessa época — Coc­teau Twins, Colour­box, Wolf­gang Press, Dead Can Dance, Bauhaus e This Mor­tal Coil — e cujo design de capas era excep­ci­o­nal; outra área onde a edi­tora inves­tiu muito foi nos víde­o­clips das ban­das e alguns eram ver­da­dei­ras obras pri­mas, assim de repente os vídeos que acom­pa­nha­vam a colec­tâ­nea “Lonely is an eye­sore” são o per­feito exem­plo (podem encon­trar vários no You­Tube, como o “Acid, Bit­ter and Sad” dos This Mor­tal Coil).

A cor e o som…

Mário Venda Nova

Publicado em 4 de April de 2013

Tenho uma vasta colec­ção de vinil e um dos atrac­ti­vos deste suporte em rela­ção ao CD — e a outro qual­quer — são as capas, sobre­tudo o tama­nho das mes­mas. Com 12 pole­ga­das (cerca de 30 cm) são uma mon­tra aberta para design, ilus­tra­ção, foto­gra­fia e ao longo de anos desig­ners cri­a­ram exce­len­tes capas de dis­cos mas para mim as melho­res são sem dúvida as que melhor expres­sam a música que está den­tro das capas. E hoje trago dois exem­plos que expres­sam essa rela­ção entre capa e música de forma magis­tral, “Pills ‘n’ Trills and Bellya­ches” dos Happy Mon­days e “Fear and Desire” dos Siglo XX (ambos os links para a iTu­nes Store).

Siglo XX — Fear and Desire

2
Este disco de 1988 está algu­res entre uns Joy Divi­sion e os Death in June, é música depres­siva, lúgrebe e depri­mente, no entanto tem uma certa ener­gia muito pecu­liar que faz com que soe um pouco menos depri­mente do que uns Cha­me­le­ons ou The Sound. Soa razo­a­vel­mente bem após estes anos todos embora esteja dema­si­ado agar­rado ao som dos oitenta e por isso soa a datado, num bom sen­tido. É um disco bas­tante con­se­guido, som polido, pro­du­ção escor­reita e gosto par­ti­cu­lar­mente da per­cus­são (uma batida orgâ­nica, quase hip­nó­tica) e orgão à The Doors, aliás essa é para mim a sua prin­ci­pal influência.

Happy Mon­days — Pill ‘n’ Trills and Bellyaches

1
Se o disco ante­rior era o som da depr­res­são, esta é o som da lou­cura de Man­ches­ter nos anos 90. Dro­gas, pas­ti­lhas e raves até nunca mais aca­bar, este é o som da Mad­ches­ter cri­ado por Tony Wil­son (Wiki­pe­dia) e a sua Haci­enda, che­gado à forma de disco pelos Happy Mon­days e ele­vado ao esta­tudo de culto pelas diver­sas con­tro­ver­sias em que o grupo, espe­ci­al­mente Shaun Ryder (o voca­lista), se meteu ao longo da sua exis­tên­cia.
Musi­cal­mente é um bri­lhante ter­ceiro disco, cheio de ener­gia, com um gro­ove que lhe vem do cru­za­mento de uma indie pop, um certo rock e a house music, com pou­cas que­bras é um disco que man­tém prac­ti­ca­mente o mesmo nível do prin­ci­pio ao fim.

Se há algo em comum nes­tes dois dis­cos é o facto de as capas de ambos espe­lha­rem per­fei­ta­mente o som que se pode encon­trar den­tro. A capa dos Siglo XX é do Tone Loen­ders que tra­ba­lhou durante os anos 80 e 90 com a edi­tora Play it Again Sam e a dos Happy Mon­days é da Cen­tral Sta­tion Design cujo prin­ci­pal tra­ba­lho foi para a Fac­tory de Tony Wilson.

SX-70

José Rui

Publicado em 4 de April de 2013


Em 1972 a Pola­roid pediu aos irmãos Char­les e Ray Eames para ela­bo­ra­rem um filme publi­ci­tá­rio para a Pola­roid SX-70, a máquina que revo­lu­ci­o­nou a foto­gra­fia ins­tan­tâ­nea. O resul­tado acaba por ser publi­ci­dade, um manual téc­nico e um belís­simo filme — sobre as pos­si­bi­li­da­des úni­cas da foto­gra­fia, cri­a­ti­vi­dade e a nossa rela­ção com tudo isso.

Eames Office
Pola­roid SX-70 na Wikipedia

White de Kenya Hara

José Rui

Publicado em 4 de April de 2013

White

White (Ama­zon UK).

Eliot Porter

Mário Venda Nova

Publicado em 4 de April de 2013


Eliot Por­ter foi um dos pri­mei­ros fotó­gra­fos pro­fis­si­o­nais de natu­reza a tra­ba­lhar em filme a cores, isto numa época em que a cor ainda era reino dos ama­do­res — essen­ci­al­mente para “mais tarde recor­dar” — e por isso era igno­rada e des­pre­zada no seio da comu­ni­dade pro­fis­si­o­nal. Por­ter era tam­bém um entu­si­asta da ciên­cia, gos­tava par­ti­cu­lar­mente de retra­tar os padrões que a natu­reza cons­trói — cola­bo­rou com o escri­tor James Gleick no livro Nature’s Chaos (Ama­zon UK) onde se exa­mina os padrões na natu­reza atra­vés do uso de frac­tais (Wiki­pé­dia) — e um defen­sor do ambi­ente. Via­jou por vários paí­ses do mundo e dei­xou uma obra vasta e antes de fale­cer em 1990 legou toda a sua obra ao Car­ter Museum em Fort Worth, Texas.

Este livro — inti­tu­lado ape­nas Eliot Por­ter (Ama­zon UK) — é tal­vez um dos mais impor­tan­tes para quem se ini­cia na obra de Por­ter, foi edi­tado em 1987 pela oca­sião de uma expo­si­ção retros­pec­tiva da sua car­reira no Car­ter Museum e con­tém uma selec­ção bas­tante grande da sua obra. A pri­meira cons­ta­ta­ção é que Por­ter gos­tava par­ti­cu­lar­mente de deta­lhes e de se con­cen­trar em peque­nas áreas em vez de ten­tar abar­car a pai­sa­gem à sua volta e que grande parte da sua obra, exac­ta­mente por esse deta­lhe, é “hori­zon­te­less” ou seja não retrata o hori­zonte. Outro aspecto que me fas­cina na sua obra é a noto­ria influên­cia da pin­tura, tal­vez o facto do seu irmão ser pin­tor tivesse alguma influên­cia, e exis­tem várias foto­gra­fias suas que “trans­pi­ram” a influên­cia de vários pin­to­res sendo que “Pool in a Brook” (Car­ter Museum) seja tal­vez o exem­plo onde essa influên­cia seja reco­nhe­cí­vel mas não é a única, “Lichens near Budhir” (Car­ter Museum) tem algo de Pol­lock que a trans­forma numa notá­vel obra abs­tracta ao mesmo tempo que é real e palpável.

Eliot Por­ter lutou durante toda a sua car­reira con­tra o pre­con­ceito de uti­li­zar um suporte que não era reco­nhe­cido como artís­tico pelos seus pares mas no entanto esta expo­si­ção veio trazer-lhe o reco­nhe­ci­mento mere­cido, quase no termo da sua vida e car­reira, e por isso tem um papel ful­cral na sua obra. O livro é bas­tante inte­res­sante e ape­sar do preço exor­bi­tante em estado novo pode ser encon­trado a pre­ços con­vi­da­ti­vos em estado usado. Para mim é uma das obras foto­grá­fi­cas que reco­mendo, sobre­tudo para quem qui­ser conhe­cer e estu­dar a foto­gra­fia de natu­reza, e Eliot Por­ter é uma refe­rên­cia — jun­ta­mente com Ansel Adams — na his­tó­ria da fotografia.

Festival de jardins de Ponte de Lima

Mário Venda Nova

Publicado em 4 de April de 2013

O Fes­ti­val de Jar­dins de Ponte de Lima realiza-se na vila com o mesmo nome desde 2005 e cada edi­ção tem uma temá­tica. O Fes­ti­val é uma explo­são de cor, uma cele­bra­ção da natu­reza e das dife­ren­tes for­mas de ver/construir um jar­dim — seja de plan­tas orna­men­tais ou comestíveis.

2008

Edi­ção de 2008

Pes­so­al­mente come­cei a acom­pa­nhar o fes­ti­val desde 2008 (falhei a edi­ção de 2010 por razões que não me recordo) e do ponto de vista de cor e para um fotó­grafo é um fes­ti­val que não desi­lude por­que é fácil con­se­guir boas foto­gra­fias. Habi­tu­al­mente o fes­ti­val inicia-se em Maio e ter­mina em Outu­bro mas desa­con­se­lho o pico de verão e o inverno dado que as tem­pe­ra­tu­ras são desa­gra­dá­veis de supor­tar — calor e frio — sobre­tudo no verão dado que as zonas de som­bra são poucas.

Não é neces­sá­rio grande equi­pa­mento para foto­gra­far neste local, serve quase tudo desde que tenha boa qua­li­dade de ima­gem, desde com­pac­tas de gama média/alta até Dslr’s de topo…

O fes­ti­val está situ­ado no Jar­dim do Arnado numa zona junto às mar­gens do Rio Lima e consegue-se ver toda a zona his­tó­rica de Ponte de Lima na outra mar­gem, para quem gos­tar de uma boa cami­nhada e/ou peda­lada existe um tri­lho que liga o jar­dim às Lagoas de Ber­ti­an­dos, outro marco local de natureza/sustentabilidade. Ponte de Lima está perto de Viana do Cas­telo, cujo acesso se faz atra­vés da A27, de Ponte da Barca e tem uma zona his­tó­rica rica em monu­men­tos e pon­tos de inte­resse; o jar­dim em si está bem cui­dado, com o fes­ti­val a ocu­par uma parte do mesmo, sendo o res­tante man­tido bem cui­dado e com árvo­res autóc­to­nes. É pos­sí­vel pas­sear entre as rama­das de limo­ei­ros car­re­ga­dos de fru­tos e no outono entre os cas­ta­nhei­ros cujos ouri­ços caem no chão cheios de cas­ta­nhas enor­mes e de sabor intenso.

2009

Edi­ção de 2009

Não é neces­sá­rio grande equi­pa­mento para foto­gra­far neste local, serve quase tudo desde que tenha boa qua­li­dade de ima­gem, desde com­pac­tas de gama média/alta até Dslr’s de topo, eu já foto­gra­fei os fes­ti­vais com uma com­pacta — Nikon P5000 -, uma Dslr média — Nikon D200 — e uma Dslr de topo — uma Nikon D800. Em ter­mos de len­tes usei gran­des angu­la­res, len­tes “nor­mais” (50mm) de grande aber­tura e tele­ob­jec­ti­vas médias ou lon­gas (85mm e 180mm) com exce­len­tes resul­ta­dos, reco­nheço que uma grande-angular extrema dá resul­ta­dos bas­tante ape­la­ti­vos por isso se tiver uma lente na casa dos 16-24mm ou zoom que tenha essa gama (16-35f4 da Nikon e 16/35/f2,8 ou 17–40/f4 da Canon, por exem­plo) use-o!

2011

Edi­ção de 2011

2011 (1)
Edi­ção de 2011

Em ter­mos do fes­ti­val em si mesmo acho que se tem con­se­guido man­ter uma boa rela­ção entre cri­a­ti­va­dade e a ideia que todos temos do que é um jar­dim, ao longo dos anos exis­ti­ram jar­dins que se des­ta­ca­ram pela posi­tiva, embora os ven­ce­do­res este­jam longe de reu­nir una­ni­mi­dade, mas tam­bém hou­ve­ram outros que se colo­ca­vam mais do lado da Land-Art ou instalação…

Para quem mora na zona norte do país é um acon­te­ci­mento imper­dí­vel, para quem mora mais longe é uma exce­lente razão para pas­sar uns dias numa loca­li­dade car­re­gada de his­tó­rica, com zonas natu­rais de ele­vada beleza — Serra d’Arga, Lagoas de Ber­ti­an­dos, Corno do Bico — perto, numa loca­li­za­ção cen­tral para visi­tar o Minho e o norte.

2012 (1)

Edi­ção de 2012

2012 (2)

Edi­ção de 2012

2012

Edi­ção de 2012

A entrada custa cerca de 1€ (a pre­ços de 2012) mas é pos­sí­vel com­prar um passe para toda a época por cerca de 2€!, de sali­en­tar que as cri­an­ças de idade infe­rior a 12 anos não pagam a entrada. O bilhete dá acesso ao bar das pis­ci­nas onde é pos­sí­vel des­can­sar, tomar uma bebida fresca no verão e rela­xar após a cami­nhada pelos jar­dins. Alta­mente recomendado!

Decentemente

José Rui

Publicado em 4 de April de 2013

As coi­sas devem ser fei­tas decen­te­mente e por ordem.

—Sher­lock Holmes

  

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