fiz a cama com lençóis frescos,

e um cobertor quente para os dias
que estão a chegar, escuros e frios.

ao lado da minha almofada, coloquei a tua
ainda com a esperança
que te viesses deitar ao meu lado
como naqueles dias de verão em
que o calor não nos deixava adormecer
e nem o canto dos pássaros nas árvores
nos trazia descanso.
agora que acabou o verão e com ele as memórias
desses dias de descoberta,
é tempo de o outono chegar,

dos pássaros partirem e
de as árvores se despirem das

folhas velhas, mortas
e que tão cego não vi
caírem
como tão cego não vi
tu
a partir sem despedidas,
sem palavras.
apenas uma estrada vazia, ao inicio
do dia e a realização
de que nós não erámos mais
um…
nós.

mvn, 2016