” não importa a distância que nos separa se há um céu que nos une “
carlos drummond de andrade

no teu poema
há insólitos
que falam do “nós”
que nasceu naquela noite
feita madrugada, de luz ainda
temerosa, cuidadosa
que entrava furtivamente
pelas frinchas de uma janela
por onde se ouviam as
andorinhas que fazem ninho nos beirais
de uma cidade que entrava em
em ti e em mim,
varanda adentro;
 
[o teu sorriso luminoso,
imagino-o dentro das tuas palavras,
em cada estrofe,
como um raio de luz
a entrar por aquela janela]
 
/
no teu poema há
um arrepio
[goosebumps]
sentido para lá de tudo
– da pele –
– do corpo –
que nos descontrola e desconforta
agradavelmente
como a brisa
de primavera
que acaricia
os telhados-de-uma-cidade…
 
na vida, como no teu poema,
não há lugar a fins anunciados
apenas lugar a um caminho
que poderá ser insólito
mas cúmplice;
estranho
mas carregado de sentido;
divertido
[como um cão-saltitante-com-nome-de comida-e-que-rói-roupa-interior]
mas nem sempre fácil;
que um dia até poderá ter fim
mas assim não tem que ser,
tudo depende
da leveza que colocamos em nós
[a leveza de uma nuvem num céu de primavera]
 
deixando para trás
a mágoa da chuva,
o cinzento de dias do passado

uma nuvem a caminho do mar
junto aos telhado de uma
cidade
que nos entra
varanda dentro
juntamente com o sol;
 
/
este meu poema é
tentativa tonta
de ser declaração
e por isso será
ridículo
atabalhoado
pateta
mas é compromisso
de ser colaborativo/inovativo/construtivo
de ser união,
como duas árvores
de raízes interligadas
a crescerem juntas…

mvn/2017