Eliot Porter foi um dos primeiros fotógrafos profissionais de natureza a trabalhar em filme a cores, isto numa época em que a cor ainda era reino dos amadores – essencialmente para “mais tarde recordar” – e por isso era ignorada e desprezada no seio da comunidade profissional. Porter era também um entusiasta da ciência, gostava particularmente de retratar os padrões que a natureza constrói – colaborou com o escritor James Gleick no livro Nature’s Chaos (Amazon UK) onde se examina os padrões na natureza através do uso de fractais (Wikipédia) – e um defensor do ambiente. Viajou por vários países do mundo e deixou uma obra vasta e antes de falecer em 1990 legou toda a sua obra ao Carter Museum em Fort Worth, Texas.

Este livro — intitulado apenas Eliot Porter (Amazon UK) — é talvez um dos mais importantes para quem se inicia na obra de Porter, foi editado em 1987 pela ocasião de uma exposição retrospectiva da sua carreira no Carter Museum e contém uma selecção bastante grande da sua obra. A primeira constatação é que Porter gostava particularmente de detalhes e de se concentrar em pequenas áreas em vez de tentar abarcar a paisagem à sua volta e que grande parte da sua obra, exactamente por esse detalhe, é “horizonteless” ou seja não retrata o horizonte. Outro aspecto que me fascina na sua obra é a notoria influência da pintura, talvez o facto do seu irmão ser pintor tivesse alguma influência, e existem várias fotografias suas que “transpiram” a influência de vários pintores sendo que “Pool in a Brook” (Carter Museum) seja talvez o exemplo onde essa influência seja reconhecível mas não é a única, “Lichens near Budhir” (Carter Museum) tem algo de Pollock que a transforma numa notável obra abstracta ao mesmo tempo que é real e palpável.

Eliot Porter lutou durante toda a sua carreira contra o preconceito de utilizar um suporte que não era reconhecido como artístico pelos seus pares mas no entanto esta exposição veio trazer-lhe o reconhecimento merecido, quase no termo da sua vida e carreira, e por isso tem um papel fulcral na sua obra. O livro é bastante interessante e apesar do preço exorbitante em estado novo pode ser encontrado a preços convidativos em estado usado. Para mim é uma das obras fotográficas que recomendo, sobretudo para quem quiser conhecer e estudar a fotografia de natureza, e Eliot Porter é uma referência – juntamente com Ansel Adams – na história da fotografia.