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Artigos etiquetados “fotografia”

SX-70

José Rui

Publicado em 4 de April de 2013


Em 1972 a Pola­roid pediu aos irmãos Char­les e Ray Eames para ela­bo­ra­rem um filme publi­ci­tá­rio para a Pola­roid SX-70, a máquina que revo­lu­ci­o­nou a foto­gra­fia ins­tan­tâ­nea. O resul­tado acaba por ser publi­ci­dade, um manual téc­nico e um belís­simo filme — sobre as pos­si­bi­li­da­des úni­cas da foto­gra­fia, cri­a­ti­vi­dade e a nossa rela­ção com tudo isso.

Eames Office
Pola­roid SX-70 na Wikipedia

Eliot Porter

Mário Venda Nova

Publicado em 4 de April de 2013


Eliot Por­ter foi um dos pri­mei­ros fotó­gra­fos pro­fis­si­o­nais de natu­reza a tra­ba­lhar em filme a cores, isto numa época em que a cor ainda era reino dos ama­do­res — essen­ci­al­mente para “mais tarde recor­dar” — e por isso era igno­rada e des­pre­zada no seio da comu­ni­dade pro­fis­si­o­nal. Por­ter era tam­bém um entu­si­asta da ciên­cia, gos­tava par­ti­cu­lar­mente de retra­tar os padrões que a natu­reza cons­trói — cola­bo­rou com o escri­tor James Gleick no livro Nature’s Chaos (Ama­zon UK) onde se exa­mina os padrões na natu­reza atra­vés do uso de frac­tais (Wiki­pé­dia) — e um defen­sor do ambi­ente. Via­jou por vários paí­ses do mundo e dei­xou uma obra vasta e antes de fale­cer em 1990 legou toda a sua obra ao Car­ter Museum em Fort Worth, Texas.

Este livro — inti­tu­lado ape­nas Eliot Por­ter (Ama­zon UK) — é tal­vez um dos mais impor­tan­tes para quem se ini­cia na obra de Por­ter, foi edi­tado em 1987 pela oca­sião de uma expo­si­ção retros­pec­tiva da sua car­reira no Car­ter Museum e con­tém uma selec­ção bas­tante grande da sua obra. A pri­meira cons­ta­ta­ção é que Por­ter gos­tava par­ti­cu­lar­mente de deta­lhes e de se con­cen­trar em peque­nas áreas em vez de ten­tar abar­car a pai­sa­gem à sua volta e que grande parte da sua obra, exac­ta­mente por esse deta­lhe, é “hori­zon­te­less” ou seja não retrata o hori­zonte. Outro aspecto que me fas­cina na sua obra é a noto­ria influên­cia da pin­tura, tal­vez o facto do seu irmão ser pin­tor tivesse alguma influên­cia, e exis­tem várias foto­gra­fias suas que “trans­pi­ram” a influên­cia de vários pin­to­res sendo que “Pool in a Brook” (Car­ter Museum) seja tal­vez o exem­plo onde essa influên­cia seja reco­nhe­cí­vel mas não é a única, “Lichens near Budhir” (Car­ter Museum) tem algo de Pol­lock que a trans­forma numa notá­vel obra abs­tracta ao mesmo tempo que é real e palpável.

Eliot Por­ter lutou durante toda a sua car­reira con­tra o pre­con­ceito de uti­li­zar um suporte que não era reco­nhe­cido como artís­tico pelos seus pares mas no entanto esta expo­si­ção veio trazer-lhe o reco­nhe­ci­mento mere­cido, quase no termo da sua vida e car­reira, e por isso tem um papel ful­cral na sua obra. O livro é bas­tante inte­res­sante e ape­sar do preço exor­bi­tante em estado novo pode ser encon­trado a pre­ços con­vi­da­ti­vos em estado usado. Para mim é uma das obras foto­grá­fi­cas que reco­mendo, sobre­tudo para quem qui­ser conhe­cer e estu­dar a foto­gra­fia de natu­reza, e Eliot Por­ter é uma refe­rên­cia — jun­ta­mente com Ansel Adams — na his­tó­ria da fotografia.

  

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