Tenho uma vasta colecção de vinil e um dos atractivos deste suporte em relação ao CD – e a outro qualquer – são as capas, sobretudo o tamanho das mesmas. Com 12 polegadas (cerca de 30 cm) são uma montra aberta para design, ilustração, fotografia e ao longo de anos designers criaram excelentes capas de discos mas para mim as melhores são sem dúvida as que melhor expressam a música que está dentro das capas. E hoje trago dois exemplos que expressam essa relação entre capa e música de forma magistral, “Pills ‘n’ Trills and Bellyaches” dos Happy Mondays e “Fear and Desire” dos Siglo XX (ambos os links para a iTunes Store).

Siglo XX – Fear and Desire

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Este disco de 1988 está algures entre uns Joy Division e os Death in June, é música depressiva, lúgrebe e deprimente, no entanto tem uma certa energia muito peculiar que faz com que soe um pouco menos deprimente do que uns Chameleons ou The Sound. Soa razoavelmente bem após estes anos todos embora esteja demasiado agarrado ao som dos oitenta e por isso soa a datado, num bom sentido. É um disco bastante conseguido, som polido, produção escorreita e gosto particularmente da percussão (uma batida orgânica, quase hipnótica) e orgão à The Doors, aliás essa é para mim a sua principal influência.

Happy Mondays – Pill ‘n’ Trills and Bellyaches

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Se o disco anterior era o som da deprressão, esta é o som da loucura de Manchester nos anos 90. Drogas, pastilhas e raves até nunca mais acabar, este é o som da Madchester criado por Tony Wilson (Wikipedia) e a sua Hacienda, chegado à forma de disco pelos Happy Mondays e elevado ao estatudo de culto pelas diversas controversias em que o grupo, especialmente Shaun Ryder (o vocalista), se meteu ao longo da sua existência.
Musicalmente é um brilhante terceiro disco, cheio de energia, com um groove que lhe vem do cruzamento de uma indie pop, um certo rock e a house music, com poucas quebras é um disco que mantém practicamente o mesmo nível do principio ao fim.

Se há algo em comum nestes dois discos é o facto de as capas de ambos espelharem perfeitamente o som que se pode encontrar dentro. A capa dos Siglo XX é do Tone Loenders que trabalhou durante os anos 80 e 90 com a editora Play it Again Sam e a dos Happy Mondays é da Central Station Design cujo principal trabalho foi para a Factory de Tony Wilson.